sábado, 12 de abril de 2014

Aniversário



    Hoje é aniversário de nascimento do nosso escritor Agripa Vasconcelos (12/04/1896). Para comemorarmos leiam essa linda poesia:


QUEM ME DERA VIVER MAIS CEM MIL VIDAS!
                                             Agripa Vasconcelos

 
Hoje, afinal, meus joelhos penitentes
Se erguem, da prece em que enlevei teu culto.
Da prisão torva em que viveu sepulto,
Teu servo parte todas as correntes
 
Vivi, por meus impulsos complacentes,
De traições e mentiras no tumulto,
Pois na árvore florida de teu vulto
Teu coração é um ninho de serpentes.
 
Vê? Tanto azul no céu! Noites floridas...
Quem me dera viver mais cem mil vidas!
Pois sangrante das mãos com que me feres,
 
Buscaria no amor um novo travo,
Para que eu fosse, não teu fiel escravo,
Mas escravo de todas as mulheres...

 
 

domingo, 6 de abril de 2014

Cememor

    

    Muitas pessoas não sabem que Agripa Vasconcelos, além de escritor/romancista, era também médico. Formou-se em 1920 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e foi dileto aluno do Prof. Miguel Couto. Depois de formado, veio exercer sua profissão em várias cidades de Minas Gerais.
      
      Por este motivo, fizemos uma visita ao Centro da Memória da Medicina da Faculdade de Medicina da UFMG. O Cememor foi idealizado pelo Prof. João Amílcar Salgado e inaugurado em 1977. Desde então o museu preserva um valioso acervo de documentos, fotos, livros, instrumentos médicos e outras importantes peças históricas. Durante as horas que lá ficamos, tivemos uma verdadeira aula de História: escutamos muitos fatos relatados pelo professor e também ouvimos casos interessantes sobre antigos componentes de famílias renomadas da nossa tradicional família mineira, que não se encontra nos livros.
     
      Agradecemos pela distinção com que fomos recebidos pelo casal Leila e Prof. João Amílcar e desejamos a eles muito sucesso na condução do Cememor.




  
 
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sexta-feira, 28 de março de 2014

Pós-doutorado

 



_ “Foi emocionante!”
Assim descrevemos a apresentação de pós-doutorado do Prof. Dr. Mauricio Cesar Menon, sobre As Sagas no País das Gerais de Agripa Vasconcelos, na Universidade do Paraná, dia 25/03/14, cujo título é A Ficção Histórica de Agripa Vasconcelos e o seu (entre) lugar no Cânone Literário Brasileiro.
O Prof. Dr. Mauricio foi de uma felicidade imensa na escolha do tema pois, além de ter feito um trabalho inédito no Brasil, fez também uma apresentação detalhada e muito rica sobre todos os romances históricos que compõem  As Sagas de Agripa.

Primeiramente, o professor descreve a obra literária do escritor como um todo e, em seguida, detalha cada livro separadamente, demonstrando um domínio profundo do assunto e com uma oratória tão leve que nos encantou a todos. Foi tão enriquecedor estarmos ali, sorvendo todo aquele conhecimento, que nem sentimos as horas passarem.

Agradecemos muitíssimo ao Prof. Dr. Maurício Cesar Menon por ter escolhido, dentre tantos, Agripa Vasconcelos como objeto de estudo de um trabalho tão relevante, que leva o nome desse escritor/romancista mineiro a um patamar acadêmico nunca alcançado antes dentro da Universidade. E à professora supervisora Dra. Marilene Weinhardt por ter aceitado o projeto do Prof. Dr. Maurício e por ter nos recebido na apresentação dele com tanta distinção.

Esperamos que este trabalho sirva de fonte de consulta para novas pesquisas e que dê bons frutos, para que cada vez mais a obra de Agripa Vasconcelos seja divulgada, enriquecendo a literatura brasileira.


 







 
Prof. Dra. Marilene Weinhardt, uma das maiores autoridades em romance histórico no Brasil.




                                                                

sábado, 22 de março de 2014

Poema dos Passos Perdidos




POEMA DOS PASSOS PERDIDOS 
                                                               Agripa Vasconcelos


Ainda te vejo no roupão de renda
Na tarde azul em que a viajar, sozinho,
Fui te encontrar errando o meu caminho,
Como um sonho de névoa, na fazenda...

Como uma estrela que, de pronto, esplenda,
Apareceste no roupão de linho,
E, grato por teu pão e por teu vinho,
Vi que era doce a sombra de tua tenda.

Volto hoje ao sítio. A solidão me aterra...
Não mais te encontra o olhar do peregrino,
Oh flor corada no pontão da serra!

Achei-te a errar por uma estrada incerta.
Mas, de todas que errei no meu destino,
Foi essa estrada a única estrada certa.


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terça-feira, 11 de março de 2014

Carta para a Província


 
CARTA PARA A PROVÍNCIA 
                                    Agripa Vasconcelos

Depois que você foi, nem sei mesmo porque,
Ao deparar na rua alguém com o seu feitio
Sinto na minha vida um enorme vazio
E estremeço assustado, ao lembrar de Você...

Qualquer cousa de estranho e mórbido se lê
Nos meus modos de ser, no meu silêncio frio,
Pois meus amigos veem: Você ficou sombrio...
E eu não lhes digo nada... Afinal, para que!

Cruzo os braços. Caminho, errante, na ilusão
De encontrar o meu sonho... Oh dor, porque me feres?
Tenho medo do povo e busco a multidão...

Pelo bairro ando, à toa e entro em casa, a fumar.
Encontro sem querer com todas as mulheres
Menos com essa mulher que eu quisera encontrar.